Meteorologistas e centros internacionais de monitoramento climático estão acompanhando com atenção a possibilidade da formação de um “Super El Niño” ao longo de 2026. O fenômeno, que ocorre devido ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, pode provocar mudanças drásticas no clima em diversas partes do planeta — especialmente no Brasil e na Amazônia.
Segundo previsões divulgadas pela NOAA, agência climática dos Estados Unidos, as chances de formação do El Niño no segundo semestre de 2026 ultrapassam 80%, podendo chegar a mais de 90% em alguns modelos climáticos. Parte dessas projeções também aponta risco de o fenômeno atingir intensidade forte ou extrema, cenário conhecido como “Super El Niño”.
O que é o Super El Niño?
O El Niño acontece quando as águas do Pacífico ficam mais quentes do que o normal, alterando os ventos e o comportamento das chuvas em várias regiões do mundo. Quando esse aquecimento ultrapassa níveis muito elevados, o fenômeno passa a ser chamado popularmente de “Super El Niño”.
Os especialistas alertam que o agravamento das mudanças climáticas globais pode intensificar ainda mais os efeitos do fenômeno, aumentando o risco de eventos extremos, como secas severas, enchentes, incêndios florestais e ondas de calor.

Amazonas pode enfrentar nova seca extrema
No Amazonas, o cenário preocupa autoridades e especialistas. A Defesa Civil do Estado já trabalha com a possibilidade de uma estiagem semelhante — ou até pior — que as registradas em 2023 e 2024. Estima-se que cerca de 800 mil pessoas possam ser afetadas caso o fenômeno se confirme com grande intensidade.
Os principais impactos esperados para a região amazônica incluem:
- Redução drástica do nível dos rios;
- Dificuldade no transporte fluvial;
- Isolamento de comunidades ribeirinhas;
- Aumento de queimadas e incêndios florestais;
- Problemas no abastecimento de água e alimentos;
- Prejuízos à pesca e agricultura familiar.
Especialistas da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) afirmam que o El Niño pode agravar a seca na Amazônia, principalmente quando combinado com o aquecimento do Oceano Atlântico Tropical.

Sul do Brasil pode ter excesso de chuvas
Enquanto a região Norte tende a enfrentar seca intensa, o Sul do Brasil costuma registrar chuvas acima da média durante eventos de El Niño. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) alerta para risco de temporais, enchentes e deslizamentos em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Cientistas ainda monitoram intensidade real
Apesar dos alertas, os cientistas reforçam que ainda é cedo para afirmar com certeza absoluta a força que o fenômeno terá. Alguns estudos indicam possibilidade de um evento moderado, enquanto outros apontam risco de um dos maiores episódios climáticos dos últimos 140 anos.
Os próximos meses serão decisivos para confirmar a evolução do fenômeno e medir seus impactos reais no Brasil e no mundo.
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