Quando a voz do povo incomoda, o botão de apagar vira solução?
A Câmara Municipal de Novo Airão voltou a ser alvo de questionamentos por parte da população após uma publicação realizada em sua rede social oficial. O vídeo divulgado pela Casa Legislativa buscava esclarecer os acontecimentos envolvendo a negativa de fala ao presidente do Sindicato dos Funcionários Públicos do Município durante uma sessão que discutia temas de interesse direto dos servidores.
Na publicação, a Câmara afirmou que “não cala a voz de ninguém”. Entretanto, a repercussão tomou um rumo diferente do esperado. Diversos moradores passaram a utilizar o espaço de comentários para manifestar indignação, discordar da versão apresentada e questionar a postura adotada pelo Poder Legislativo durante a sessão.
O que chamou a atenção foi que, segundo relatos de internautas, diversos comentários críticos passaram a desaparecer da publicação ao longo das horas seguintes. A situação gerou ainda mais revolta entre os cidadãos, que passaram a acusar a página institucional de praticar uma espécie de censura digital contra opiniões divergentes.
Em uma democracia, o contraditório é um dos pilares fundamentais do debate público. As redes sociais dos órgãos públicos não são apenas vitrines para divulgar ações e posicionamentos oficiais, mas também espaços onde a população exerce sua participação cidadã, expressando apoio, críticas, sugestões e cobranças.
Quando comentários são removidos sem uma justificativa clara e transparente, surge inevitavelmente a dúvida: a exclusão ocorreu por conter ofensas e desrespeito ou simplesmente por expressarem uma opinião contrária à narrativa oficial?
A situação ganha ainda mais relevância porque ocorre logo após a polêmica envolvendo a negativa de fala ao representante dos servidores públicos, justamente em uma discussão que impacta diretamente centenas de trabalhadores do município.
A população espera que os poderes constituídos sejam capazes de ouvir elogios e críticas com a mesma maturidade institucional. Afinal, o papel do poder público não é apenas falar para o povo, mas também ouvir o povo.
O episódio reforça um debate importante: em tempos de comunicação digital, transparência não significa apenas publicar conteúdos, mas também permitir que a sociedade participe da conversa.
A Câmara Municipal tem a oportunidade de esclarecer os critérios utilizados para moderação dos comentários e demonstrar que está aberta ao diálogo democrático, especialmente quando o assunto envolve temas sensíveis e de grande interesse coletivo.
Porque a confiança pública não se constrói apenas com discursos. Ela se fortalece quando a população sente que sua voz é respeitada, mesmo quando discorda.

Redação Diário de Novo Airão
