Senador Hiran critica atuação de Omar Aziz e aponta possível interesse eleitoral em debate sobre fim da escala 6×1

Senador Hiran critica atuação de Omar Aziz e aponta possível interesse eleitoral em debate sobre fim da escala 6×1

Parlamentar afirma que população deseja mudanças na jornada de trabalho, mas questiona o momento escolhido para acelerar a discussão da proposta no Senado

O senador Hiran Gonçalves (PP-RR) criticou, nesta quarta-feira (2), a condução do debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da chamada escala 6×1 — modelo no qual o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias e tem um dia de descanso.

Durante discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Hiran reconheceu que existe uma cobrança da sociedade por mudanças na jornada de trabalho. No entanto, o parlamentar avaliou que a aceleração da proposta em pleno período eleitoral pode ter interesses políticos.

Segundo Hiran, embora exista apoio popular à discussão, o momento escolhido para colocar a matéria em evidência levanta questionamentos sobre uma possível utilização eleitoral da pauta.

O senador também direcionou parte de suas declarações ao relator da proposta, Omar Aziz (PSD-AM), que disputa o Governo do Amazonas nas eleições de 2026.

Para Hiran, a discussão de uma proposta com grande impacto sobre trabalhadores e empregadores precisa ocorrer de maneira responsável, com espaço para avaliação das consequências econômicas e sociais da mudança.

Omar Aziz defende redução da jornada

Relator da matéria no Senado, Omar Aziz tem defendido a aprovação da proposta e rejeita o argumento de que a redução da jornada representaria necessariamente prejuízos à economia.

O texto prevê a redução da jornada máxima semanal das atuais 44 horas para 40 horas, sem redução salarial, além de assegurar dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

A mudança aconteceria de forma gradual. Inicialmente, a jornada cairia para 42 horas semanais e, posteriormente, chegaria às 40 horas.

Durante a análise da matéria, Aziz rejeitou as 36 emendas apresentadas ao texto e defendeu a manutenção da proposta aprovada anteriormente pela Câmara dos Deputados.

Debate divide parlamentares

A discussão sobre o fim da escala 6×1 tem provocado divergências no Congresso Nacional.

De um lado, defensores da proposta argumentam que a redução da jornada poderá proporcionar mais qualidade de vida, descanso e convivência familiar aos trabalhadores, sem redução dos salários.

Do outro, parlamentares contrários ou críticos à proposta alertam para possíveis impactos sobre empresas e setores que funcionam de maneira contínua ou possuem jornadas específicas. Também existem questionamentos sobre aumento de custos, geração de empregos e necessidade de maior negociação entre trabalhadores e empregadores.

Nesta quarta-feira (2), a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o relatório favorável à PEC. A votação ocorreu após mais de quatro horas de debates.

Com a aprovação na CCJ, a proposta ainda precisa ser analisada pelo plenário do Senado, onde uma PEC necessita do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação, para ser aprovada.

O debate deve continuar mobilizando trabalhadores, empresários e representantes políticos, principalmente por ocorrer em meio ao período eleitoral de 2026.

Diário de Novo Airão | Política

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