SÃO PAULO / AMAZONAS — Foi preso na noite deste domingo (1º) o homem que atropelou e arrastou uma mulher por cerca de um quilômetro na zona leste de São Paulo. O caso, tratado pela polícia como tentativa de feminicídio, reforça o alerta nacional sobre violência contra mulheres — especialmente no Amazonas, que ocupa hoje o 3º lugar no ranking nacional de violência de gênero em 2024.
Crime brutal em São Paulo
Douglas Alves da Silva, de 26 anos, foi detido às 20h40 em um hotel na Vila Prudente após ser localizado por equipes da Polícia Civil. Ele era procurado desde sábado, quando atropelou intencionalmente Tainara Souza Santos, 31 anos, após uma discussão em um bar onde ambos estavam.
Testemunhas relataram que Douglas entrou em um veículo Volkswagen Golf preto, acelerou contra a vítima e a arrastou por aproximadamente 1 quilômetro ao longo da avenida Morvan Dias de Figueiredo, até a altura da Marginal Tietê.
Tainara sofreu ferimentos gravíssimos, incluindo a amputação das duas pernas, e permanece internada, intubada, no Hospital Municipal Vereador José Storopolli.
Após o crime, Douglas tentou fugir, mas foi impedido por um policial militar. Durante a abordagem, chegou a ferir o agente no dedo e foi alvejado, sendo posteriormente levado ao Hospital da Vila Alpina e depois encaminhado à delegacia. Ele deve passar por audiência de custódia nesta segunda-feira.
A polícia trata o caso como tentativa de feminicídio.
Violência contra a mulher no Amazonas: estado está entre os mais perigosos do país
Enquanto o caso de São Paulo repercute nacionalmente, novos dados divulgados pela Rede de Observatórios da Segurança revelam um cenário alarmante no Amazonas, que registrou 604 eventos de violência contra a mulher em 2024, ocupando o 3º lugar no ranking nacional — atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Ranking de estados com mais casos de violência contra a mulher em 2024
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São Paulo – 1.177 casos
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Rio de Janeiro – 633
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Amazonas – 604
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Pará – 388
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Maranhão – 365
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Pernambuco – 312
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Bahia – 257
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Piauí – 238
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Ceará – 207
Os registros incluem:
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agressões verbais,
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cárcere privado,
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tentativas de feminicídio,
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violência sexual,
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homicídios,
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transfeminicídios,
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tortura,
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e casos de feminicídio consumado.
Feminicídios no Amazonas
O estado registrou 33 feminicídios em 2024, crimes motivados por violência de gênero e majoritariamente cometidos por parceiros ou ex-parceiros.
Violência sexual: maioria das vítimas no AM é criança ou adolescente
Dos 604 casos de violência registrados pelo estudo, 229 foram de violência sexual. O dado mais alarmante:
84,2% das vítimas tinham entre 0 e 17 anos.
Um dos episódios mais chocantes ocorreu em Jutaí, com a criança Laylla Victória, de 1 ano e 6 meses, vítima de estupro e assassinato — um caso que causou enorme revolta e levou moradores a invadirem a delegacia e lincharem o suspeito.
A Rede de Observatórios destaca ainda que a realidade em municípios ribeirinhos eleva a subnotificação, devido à dificuldade de acesso a delegacias, serviços especializados e atendimento pericial.
Cenário nacional monitorado pela Rede
Nos nove estados acompanhados (AM, BA, CE, MA, PA, PE, PI, RJ e SP), o boletim registrou 4.181 mulheres vítimas de violência em 2024, aumento de 12,4% em relação ao ano anterior.
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Ao menos 13 mulheres são vítimas de violência todos os dias nesses estados.
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531 mulheres foram assassinadas em feminicídios — uma morte a cada 17 horas.
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Em 75% dos casos, o agressor é alguém próximo; em 70%, é o parceiro ou ex-parceiro.
Reflexão e alerta
O caso de Tainara, em São Paulo, somado aos números crescentes no Amazonas, reforça a urgência de políticas públicas mais robustas, proteção das vítimas e ações preventivas efetivas nas comunidades, especialmente as mais isoladas.
A violência contra a mulher segue sendo uma das maiores emergências sociais do país — e os dados mostram que o Amazonas precisa de atenção redobrada.
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