Secretário-geral diz que Europa precisa se preparar para conflito em grande escala
Internacional – O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, alertou que a Rússia pode lançar um ataque militar contra países da aliança em até cinco anos, caso os membros não acelerem de forma significativa os investimentos em defesa. A declaração foi feita durante discurso na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha.
Segundo Rutte, o cenário atual exige preparação imediata por parte da Europa, que deve se organizar para um conflito de proporções semelhantes às grandes guerras enfrentadas por gerações passadas.
“Precisamos estar preparados para a escala de guerra que nossos avós ou bisavós enfrentaram”, afirmou o secretário-geral.
O alerta ocorre em meio às negociações internacionais lideradas pelos Estados Unidos para tentar encerrar a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022 após a invasão russa.
Risco crescente e guerra híbrida
De acordo com Rutte, a Rússia já intensifica ações consideradas parte de uma guerra híbrida, que inclui ciberataques, campanhas de desinformação e incidentes em áreas sensíveis de países da Otan. Apesar disso, ele ressaltou que esses episódios são menores diante do impacto que teria um ataque militar direto contra um país membro da aliança.
“Os conflitos já não estão distantes. Eles estão à nossa porta”, alertou.
O secretário-geral também afirmou que apoiar a Ucrânia é uma forma direta de garantir a segurança da própria Europa.
“Imaginem o risco se a Rússia conseguisse dominar a Ucrânia e ampliar ainda mais sua fronteira com a Otan”, destacou.
Economia de guerra russa preocupa aliados
A Rússia mantém sua economia em ritmo de guerra há mais de três anos, com produção acelerada de tanques, drones, mísseis e munições. Relatórios internacionais indicam que Moscou fabrica mensalmente centenas de equipamentos militares, superando a capacidade produtiva de diversos países da Europa Ocidental.
Analistas apontam que, no ritmo atual, levaria anos para que nações europeias alcancem um nível semelhante de produção militar. Diante disso, países como França e Alemanha anunciaram medidas para reforçar seus efetivos, incluindo programas de serviço militar voluntário para jovens.
Pressão por mais investimentos em defesa
Atualmente, a Otan reúne 30 países europeus, além de Estados Unidos e Canadá. Sob pressão do presidente americano Donald Trump, os membros da aliança concordaram em elevar os gastos militares para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035, mais que o dobro da meta anterior.
Mesmo assim, Rutte afirmou que muitos governos ainda não perceberam a gravidade da situação.
“Muitos acreditam que o tempo está do nosso lado. Não está. Precisamos aumentar rapidamente os gastos e a produção em defesa”, declarou.
Estados Unidos e negociações de paz
Rutte reforçou que a segurança dos Estados Unidos depende de um Atlântico seguro e da manutenção da Otan. Ele também elogiou Trump por liderar as negociações entre Rússia e Ucrânia, afirmando que o presidente americano tem papel central para romper o impasse.
No entanto, destacou que qualquer acordo de paz precisará incluir garantias de segurança sólidas para a Ucrânia.
“Somente os ucranianos podem decidir sobre território, mas é essencial que Putin saiba que qualquer nova agressão terá uma resposta devastadora”, concluiu.
Secretário Geral da Otan
Redação Diário de Novo Airão
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