Novo Airão (AM) – O Diário de Novo Airão acompanhou, nesta semana, a ida de um grupo de mulheres à Delegacia Civil do Estado do Amazonas, no município de Novo Airão, onde foram formalizados boletins de ocorrência contra um cidadão identificado como Sidney Costa, conhecido como “Remendado”.
Segundo as denunciantes, o homem teria divulgado vídeos e mensagens em grupos de WhatsApp com conteúdo considerado ofensivo, difamatório, calunioso e com ameaças direcionadas a integrantes de projetos sociais que atuam no município, como a APAE e o Projeto Airão Dance. De acordo com os relatos, não se trata de um episódio isolado, mas de uma prática recorrente de ataques verbais contra pessoas e instituições locais.
Entre as representantes que compareceram à delegacia está Adriana Cardoso, presidente da APAE em Novo Airão, que demonstrou indignação com as declarações divulgadas nas redes sociais.
“Fiquei muito chateada quando vi o vídeo, as palavras usadas foram muito baixas, nós nos reunimos para prestigiar e apoiar iniciativas que vão beneficiar crianças PCDs no município. Projetos sociais precisam de visibilidade, apoio e respeito. Não importa lado político, o que importa é fazer o bem”, destacou Adriana.
Ela também reforçou que os projetos atuam de forma apartidária e buscam apenas fortalecer ações de inclusão, cuidado e desenvolvimento social para as famílias airãoenses.
Integrantes do Airão Dance também relataram que se sentiram profundamente ofendidas com as falas divulgadas. Segundo elas, muitas são mães de família que atuam voluntariamente em ações sociais, culturais e esportivas.
“Somos mães, trabalhadoras, e fomos desrespeitadas. Quem critica deveria primeiro fazer algo pelo povo, ajudar de verdade, tirar do próprio bolso para apoiar quem precisa. Não é correto usar redes sociais para humilhar mulheres e projetos que só querem o bem da cidade”, afirmou uma das participantes.
Além dos registros policiais, o caso também segue para a esfera judicial. Conforme orientação jurídica acompanhada pelo grupo, foi instaurado procedimento para apurar possíveis crimes contra a honra, como calúnia, difamação e injúria, além de ações cíveis buscando reparação por danos morais.
O advogado que acompanhou a ocorrência destacou que o conteúdo foi amplamente divulgado em redes sociais, o que pode agravar a responsabilidade do autor.
“Não foi apenas um ataque pessoal, mas uma ofensa pública contra instituições sociais, mães de família e projetos que promovem inclusão. A sociedade de Novo Airão não compactua com esse tipo de comportamento”, pontuou.
A situação também envolve o recém-criado Instituto São Melada, iniciativa liderada por uma mãe atípica que busca atender crianças e famílias atípicas no município, fortalecendo a atuação social por meio da iniciativa privada e do voluntariado.
O Diário de Novo Airão segue acompanhando o caso e reforça o compromisso com a informação responsável, o respeito às instituições e a valorização de projetos que promovem inclusão, cidadania e desenvolvimento social em Novo Airão.
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Mulheres reforçam indignação e cobram justiça
Segundo relatos de moradores e informações levantadas junto à Delegacia Civil, o histórico de conflitos envolvendo o denunciado já é conhecido no município. Para as representantes dos projetos sociais, causa indignação o fato de uma pessoa com esse comportamento continuar utilizando redes sociais para atacar quem atua em favor da cidade.
As mulheres destacam que não se trata de disputa política, mas de respeito. Os projetos citados são apartidários e atuam de forma independente, valorizando a inclusão, a saúde, o bem-estar e o fortalecimento social em Novo Airão.
Durante a mobilização na delegacia, uma das vozes de apoio foi a de Keury Koga, representando mulheres do município que se uniram em solidariedade à APAE e ao Projeto Airão Dance.
“Nós estamos aqui como mulheres, mães, amigas e apoiadoras de projetos que fazem bem à cidade. Fomos surpreendidas com a forma que fomos tratadas, com difamações e ameaças que colocam em risco a credibilidade de um trabalho que existe para ajudar o próximo, desde crianças até mães atípicas. Nos sentimos ofendidas, humilhadas e prejudicadas”, afirmou.
Moradora de Novo Airão, Keury ressaltou que conhece a realidade do município e a importância dos projetos sociais para a população.
“Nosso projeto é voltado para mulheres, idosos e crianças. Ele leva saúde, expectativa e acolhimento para quem chega até nós em momentos difíceis. Não é justo alguém usar a internet para atacar mulheres de bem e desrespeitar um trabalho feito com amor”, completou.
As integrantes também destacaram que muitas mulheres encontram no Airão Dance e em ações sociais um espaço de apoio emocional, combate à depressão, ansiedade e fortalecimento da autoestima.
“Não dependemos de prefeitura, nosso trabalho é gratuito. Dançamos porque gostamos e porque isso alegra mulheres que chegam fragilizadas. Elas se sentem abraçadas pelo projeto. Quando alguém ofende, não atinge só uma pessoa, atinge todas nós”, relatou uma das professoras do projeto.
Outro ponto levantado pelas representantes é que os ataques ocorreram após a união dos grupos para homenagear uma mãe atípica, Regicley Mafra, presidente do Instituto Samuel Adan, iniciativa que busca atender crianças Atípicas e suas famílias em Novo Airão.
Para as participantes, o episódio não foi apenas uma agressão verbal, mas uma tentativa de descredibilizar projetos que promovem saúde, inclusão e cidadania.
“Chamaram mulheres de família com palavras ofensivas apenas porque dançam e ajudam o próximo. Nosso projeto leva vida, saúde e esperança. Não podemos aceitar que isso fique impune”, reforçaram.
As mulheres exigem que as autoridades apurem o caso com seriedade e que haja responsabilização.
“Não é a primeira vez que isso acontece. Mas desta vez chegou ao limite. Somos mulheres de Novo Airão e merecemos respeito. O que foi feito não pode ficar sem resposta”, concluíram.
Os boletins de ocorrência foram oficialmente registrados na Delegacia Civil do município, e o caso segue para investigação, tanto na esfera criminal quanto cível.
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Pronunciamento de Regicley Mafra reforça repúdio e apoio às mulheres
A presidente do Projeto de Constituição do Instituto Samuel Adan, Regicley Mafra, também se manifestou publicamente por meio de uma nota de repúdio, após os ataques direcionados às mulheres e aos projetos sociais de Novo Airão.
Segundo ela, a situação ultrapassou os limites da liberdade de expressão e se transformou em desrespeito e tentativa de desmoralização.
“Um senhor, na sua indignação, achou que a liberdade de expressão lhe dava o direito de denegrir a imagem de um grupo de mulheres, insultar, ridicularizar e menosprezar um momento que, na verdade, era apenas uma parabenização de aniversário. Ali estavam mulheres do Airão Dance, mães da APAE, crianças e minha família”, afirmou.
Regicley esclareceu que o encontro não teve cunho político, mas social e afetivo, reunindo pessoas que atuam voluntariamente em prol da cidade. Ela também rebateu críticas sobre sua presença no município.
“Eu já resido em Novo Airão há alguns anos. Eu e minha família fomentamos o comércio local, geramos empregos e, nos últimos meses, ganhamos visibilidade pelas ações com a cultura, o esporte e agora com a fundação do Instituto Samuel Adan, idealizado em homenagem ao meu filho, que é autista”, explicou.
A presidente do instituto classificou a conduta do autor dos ataques como vergonhosa e reforçou que não aceita qualquer vínculo social com atitudes desse tipo.
“É vergonhoso. Eu teria vergonha de ter qualquer vínculo social com alguém que age dessa forma. Espero que as pessoas citadas nos discursos também repugnem esse tipo de comportamento”, declarou.
Ela também fez um alerta sobre o papel de agentes públicos e a diferença entre obrigação e caridade.
“Realizar o básico é obrigação de quem ocupa cargo público. Isso não é caridade, é dever. O povo não precisa baixar a cabeça e aplaudir aquilo que já é obrigação de ser feito”, pontuou.
Regicley ainda destacou que o direito de uma pessoa termina quando começa o do outro.
“Não é preciso derrubar ninguém para elevar outra pessoa. O seu direito acaba quando o do outro começa. A sua conduta não vai ficar impune”, afirmou.
Em apoio às mulheres ofendidas, ela garantiu respaldo jurídico e institucional.
“O que for necessário para apoiar essas mulheres juridicamente, nós vamos fazer. O mundo não pode ser fertilizado por pessoas que ridicularizam, profanam com palavras e tentam desmerecer quem faz o bem”, reforçou.
Por fim, Regicley destacou que os ataques não enfraquecem o projeto, mas fortalecem a missão social do Instituto Samuel Adan.
“Se a intenção é desmerecer o meu projeto, lamento informar que isso não vai me fazer desistir. Pelo contrário, vai nos fortalecer. Eu estou aqui para ajudar famílias, mães e pais que têm em seus lares crianças que precisam de desenvolvimento, autonomia e dignidade. É inadmissível o que foi feito, e a justiça precisa ser feita”, concluiu.

Com os registros formalizados na Delegacia Civil, o caso segue sob investigação. O Diário de Novo Airão permanece acompanhando os desdobramentos e reafirma seu compromisso com a informação responsável, a imparcialidade e a defesa do respeito às mulheres e aos projetos sociais do município.
