HISTÓRICO: 1º FESTYÃDEPÁ REÚNE 24 POVOS INDÍGENAS E CELEBRA CULTURA, ANCESTRALIDADE E TRADIÇÃO EM NOVO AIRÃO

Primeira edição do Festival Cultural de Todos Nós movimentou Novo Airão durante os dias 8 e 9 de agosto, reunindo jogos indígenas, rituais, música, artesanato, gastronomia e manifestações culturais dos povos originários do Baixo Rio Negro.

Novo Airão viveu um fim de semana histórico com a realização do 1º FestYãdepá – Festival Cultural de Todos Nós, nos dias 8 e 9 de agosto de 2026. Pela primeira vez, o município recebeu um festival deste formato dedicado especialmente à valorização da cultura, identidade e ancestralidade dos povos indígenas da região.

Realizado em celebração ao Dia Internacional dos Povos Indígenas, comemorado em 9 de agosto, o evento reuniu representantes de 24 povos indígenas do Baixo Rio Negro, além de moradores de Novo Airão, visitantes, lideranças, artistas e representantes das comunidades.

Durante os dois dias, diferentes espaços do município receberam atividades culturais, com destaque para a Praça Municipal, que concentrou boa parte da programação.

UM ENCONTRO DE CULTURAS E GERAÇÕES

O FestYãdepá proporcionou ao público uma verdadeira imersão nos saberes e tradições dos povos originários.

A programação reuniu rituais tradicionais, jogos indígenas, música, cinema, artesanato, gastronomia, apresentações culturais, exposições e atividades voltadas à transmissão dos conhecimentos ancestrais.

O próprio nome do festival carrega a proposta de união apresentada pelo evento. “Yãdepá”, em Nheengatu, significa “todos nós”, expressão que representa coletividade, ancestralidade e fortalecimento das culturas indígenas.

Entre os idealizadores está o multiartista airãoense Eric Max Baré, que também participou da programação musical apresentando o show “Rio Negro”.

SABERES INDÍGENAS GANHARAM DESTAQUE

No primeiro dia de programação, sábado (8), o público acompanhou atividades como a Oficina Arte da Terra, Feira de Artes Tauapessassu e o Cine Clube do Igapó.

À noite, a cerimônia oficial de abertura contou com ritual conduzido por Dona Neuza Tukano, além das saudações de lideranças indígenas.

Outro momento marcante foi o Desafio dos Saberes Indígenas, que colocou em evidência práticas tradicionais transmitidas entre gerações, incluindo ralação de mandioca, trançado de palha branca e competição de quinhapira.

A programação cultural da primeira noite contou ainda com o show “Rio Negro”, de Eric Max Baré, apresentação da Agremiação Cultural Peixe-Boi Anavilhanas e do grupo WOTCHIMAÜCÜ.

JOGOS INDÍGENAS MOVIMENTARAM O SEGUNDO DIA

No domingo (9), as atividades começaram pela manhã com os Jogos Indígenas, reunindo competições individuais e coletivas.

Entre as modalidades realizadas estiveram arco e flecha, zarabatana, arremesso de ouriço, arremesso de lança, futsal e cabo de guerra, proporcionando ao público a oportunidade de conhecer práticas que unem habilidade, tradição, resistência e conhecimentos ancestrais.

A programação continuou durante a tarde e noite com a Feira de Artes Tauapessassu, Cine Clube do Igapó e apresentações culturais.

Um dos momentos de destaque foi o ritual Majé Dyyakapiró, seguido pela apresentação do grupo Yebá Buró Goamú.

O público também acompanhou o Concurso Guerreira e Guerreiro Ancestral Indígena e o Desfile Ancestral Indígena, que evidenciaram grafismos, indumentárias, identidade e elementos culturais dos povos participantes.

A programação musical contou ainda com Cida Aripória e Junior Xoque, enquanto a Banda Apuré ficou responsável pelo encerramento do festival.

CULTURA QUE TAMBÉM MOVIMENTA A ECONOMIA

Além da preservação e divulgação das tradições, o FestYãdepá abriu espaço para a chamada economia indígena.

Artesãos, artistas, cozinheiras tradicionais, agentes culturais e empreendedores puderam apresentar trabalhos e produtos relacionados ao artesanato, grafismos, moda indígena, culinária tradicional e conhecimentos ancestrais.

O movimento gerado pelo evento também alcançou o turismo local, com a presença de visitantes interessados em conhecer de perto a diversidade cultural existente no município e na região do Baixo Rio Negro.

UM MARCO PARA NOVO AIRÃO

A realização da primeira edição deixa um novo capítulo na história cultural de Novo Airão.

Conhecido nacional e internacionalmente pelas belezas naturais do Parque Nacional de Anavilhanas e pela relação de sua população com o Rio Negro e a floresta, o município também carrega uma forte presença indígena em sua formação histórica e cultural.

O FestYãdepá colocou essa identidade no centro das atenções durante dois dias.

Mais do que entretenimento, o festival se tornou um espaço de encontro entre gerações, comunidades indígenas e não indígenas, valorizando aqueles que carregam conhecimentos, histórias e tradições que atravessam gerações.

Com 24 povos representados, a primeira edição mostrou a diversidade cultural existente no território e abriu caminho para que o FestYãdepá possa se consolidar no calendário cultural de Novo Airão.

O primeiro FestYãdepá terminou, mas deixou uma mensagem que vai além dos dois dias de programação: preservar a cultura indígena é preservar parte fundamental da história, da identidade e das raízes de Novo Airão e de toda a Amazônia.

Diário de Novo Airão
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