Decisão do STF determina afastamento por 90 dias; Operação Dinastia do Lago investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro
COARI (AM) — O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), foi afastado do cargo por 90 dias, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida ocorre no âmbito da Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (16), com ações em Coari e Manaus.
A investigação apura a possível atuação de uma organização criminosa relacionada à administração municipal de Coari. Entre as suspeitas investigadas estão fraudes em procedimentos licitatórios, desvio de recursos públicos, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. As acusações estão sob investigação e não representam condenação dos envolvidos.
Operação chega também a Adail Filho
O deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do prefeito, também aparece entre os investigados. As diligências da Polícia Federal atingiram endereços relacionados aos alvos tanto em Manaus quanto em Coari.
A investigação ganhou força após a apreensão, em maio de 2025, de aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo, transportado por três empresários amazonenses em um voo entre Manaus e Brasília.
A partir das apurações relacionadas ao dinheiro, investigadores passaram a analisar movimentações financeiras e possíveis relações entre empresários, agentes públicos e empresas que mantinham contratos com o Município de Coari.
Mandados de busca e apreensão
Por determinação judicial, a Polícia Federal cumpriu 29 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares. Secretários e servidores da administração municipal também foram alcançados pelas determinações judiciais.
Materiais recolhidos durante a operação deverão ser analisados pela Polícia Federal para aprofundar as investigações e esclarecer a eventual participação de cada pessoa investigada.
Defesa contesta afastamento
A defesa de Adail Pinheiro contestou a decisão de afastá-lo temporariamente da Prefeitura. O advogado Fabrício Parente afirmou que a permanência do prefeito no cargo não prejudicaria o andamento das investigações e informou que a medida será questionada juridicamente com urgência.
O inquérito tramita sob segredo de Justiça, e o afastamento cautelar não significa condenação. A eventual responsabilização dos investigados dependerá do desenvolvimento das apurações e das decisões judiciais posteriores.
O caso provoca repercussão no cenário político do Amazonas e coloca novamente Coari, um dos principais municípios do interior do estado, no centro das atenções.
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