Um grupo de mães, unidas pela dor irreparável da perda de seus filhos, se reuniu em Manaus para transformar o luto em luta. O movimento “Mães por Justiça” tem dado voz a histórias marcadas por denúncias de negligência médica em unidades de saúde do estado.
Durante uma audiência pública, acompanhada pelo Diário de Novo Airão, relatos emocionantes e chocantes vieram à tona, revelando uma realidade que, segundo as mães, precisa urgentemente de atenção das autoridades.
Monalisa, uma das integrantes do coletivo, relembra com dor a perda de sua filha Victoria, de apenas 3 anos. A criança, que era diabética, teria recebido uma superdosagem de insulina no Hospital de Pronto Socorro Joãozinho, o que resultou em coma e, posteriormente, morte cerebral.
“Estou aqui pedindo justiça pela minha filha. Foi através desse grupo que encontrei forças para continuar lutando”, declarou.
Outro caso que comoveu os presentes foi o da pequena vida de Pedro Victor, um bebê de apenas 2 meses. Sua mãe, Ariana, relatou que o filho estava em tratamento de bronquiolite quando teria recebido uma medicação inadequada, uma aplicação de Benzetacil diretamente na veia/ o que teria provocado complicações fatais.
O movimento também carrega a dor de outras mães, como a de Pedro Henrique, de 1 ano e 3 meses, que faleceu durante um procedimento cirúrgico considerado simples, relacionado à fimose, em Presidente Figueiredo.
“É uma dor recente, difícil até de falar. Mas nós vamos até o fim pelos nossos filhos”, afirmou, emocionada.
Um dos casos que mais repercutiram no estado foi o do pequeno Benício. Segundo a mãe, ele recebeu uma dose de adrenalina por via intravenosa, quando o correto seria por inalação. Mesmo após questionamentos de profissionais presentes, a aplicação foi realizada, levando o menino a óbito em menos de 14 horas no Hospital Santa Júlia.
Diante de tantas histórias marcadas por perdas evitáveis, o coletivo “Mães por Justiça” surge como um espaço de acolhimento, força e resistência. Unidas, essas mulheres buscam não apenas respostas, mas também responsabilização e mudanças no sistema de saúde.
“Perder um filho é uma dor solitária. Aqui, encontramos apoio e força umas nas outras”, destacou uma das participantes.
O Diário de Novo Airão, mesmo sendo de outro município, reforçou sua solidariedade às mães, destacando que a luta por justiça ultrapassa fronteiras e pertence a todos os amazonenses.
A mobilização segue ganhando força e chama a atenção da sociedade para a necessidade de investigações rigorosas, transparência nos atendimentos médicos e respeito à vida.

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