Levantamento aponta recuperação hídrica na região amazônica, mas especialistas alertam para desafios climáticos no longo prazo
Após enfrentar dois anos consecutivos de seca severa, a Amazônia voltou a registrar aumento na superfície coberta por água em 2025. Dados divulgados pelo MapBiomas mostram que o bioma encerrou o ano com níveis de água 2,6% acima da média histórica registrada entre 1985 e 2025, refletindo a recuperação após os períodos críticos de estiagem que afetaram a região nos últimos anos.
A Amazônia concentra atualmente 61,4% de toda a superfície de água do Brasil, sendo considerada a principal reserva hídrica do país. Entre os estados que mais contribuíram para essa recuperação estão o Pará, com ganho de 142 mil hectares de superfície de água, e o Amazonas, que registrou aumento de 87 mil hectares em relação à média histórica.
Segundo especialistas, o aumento das chuvas em diversas áreas da região foi determinante para a melhora observada em 2025. No entanto, a recuperação não ocorreu de forma uniforme. Das 54 sub-bacias analisadas na Amazônia, 20 ainda permanecem abaixo da média histórica, representando cerca de 37% do total.
O cenário é especialmente importante para as populações ribeirinhas, já que cerca de metade das comunidades da Amazônia está localizada a até 50 quilômetros dos principais rios da região. A recuperação dos níveis de água favorece o transporte, o abastecimento e a atividade econômica dessas localidades.
Apesar da notícia positiva, pesquisadores alertam que os efeitos das mudanças climáticas continuam preocupantes. Eventos extremos, como secas prolongadas e enchentes intensas, têm se tornado mais frequentes, aumentando a instabilidade do regime hídrico amazônico e exigindo monitoramento constante das condições ambientais da região.
O estudo também revela que, embora 2025 tenha apresentado recuperação em relação aos anos anteriores, o Brasil mantém uma tendência de redução da superfície de água ao longo das últimas quatro décadas. A análise do MapBiomas indica que a média nacional de áreas cobertas por água vem diminuindo gradativamente desde 1985, reforçando a necessidade de políticas de preservação ambiental e combate às mudanças climáticas.
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